domingo, 10 de fevereiro de 2013

O ACTH na regulação da produção dos corticoides


O ACTH (Hormônio Adrenocorticotrófico), ou corticotrotropina, é um hormônio secretado pela hipófise e é um fundamental estimulador da atividade do córtex adrenal. A liberação de ACTH é controlada pelo hipotálamo, que secreta o CRH (Hormônio Liberador de Corticotropina) quando há estímulos externos (como estresse e ansiedade) ou internos (hipoglicemia ou inflamações). 

Sem o ACTH, as Zonas Fasciculada e Reticular (responsáveis pela produção dos glicocorticoides, como o cortisol) deixam de funcionar. A Zona Glomerulosa (que produz os mineralocorticoides, como a aldosterona) é um pouco afetada, mas continua funcionando, devido a um mecanismo envolvendo a angiotensina, um hormônio peptídico secretado pelos rins e que terá sua ação explicada em posts futuros.

Nas três zonas, as células têm receptores de ACTH que, ligados a esse hormônio, ativam uma cascata que culmina com a produção de AMP cíclico (cAMP), o qual estimula a proteína cinase A. Esta, por sua vez, fosforila (ativando) várias enzimas-chave na produção dos corticoides, agindo inclusive na transcrição gênica. Essas enzimas aumentam a disponibilização do colesterol para as mitocôndrias, conduzindo-o à produção de pregnenolona e, assim, dos corticoides. Essa reação (conversão de colesterol a pregnenolona) é uma etapa fundamental da regulação da síntese dos corticoides, tanto na mediada por ACTH quanto na induzida por angiotensina (no caso da aldosterona). De fato, essa regulação é necessária porque não há a estocagem de corticoides dentro das células que os produzem. Por serem de natureza hidrofóbica, eles facilmente passam pela membrana citoplasmática, rumo ao meio extracelular e à corrente sanguínea. Assim, é preciso que haja outra forma de se controlar a secreção de corticoides, que não a estocagem dentro da célula. O controle da conversão de colesterol a pregnenolona é uma dessas formas.

Exemplos de proteínas estimuladas pela ação do ACTH:
- StAR: é a que promove a entrada do colesterol nas mitocôndrias;
- P450scc: é a que catalisa a clivagem do colesterol, gerando a pregnenolona;
- Receptor de LDL: capta o LDL da corrente sanguínea, o qual carrega colesterol (ver post   “Colesterol e Pregnenolona na produção de corticoides”).

Veja a figura a seguir, que resume e esquematiza o processo:

Quando há altos níveis de cortisol circulante, há um processo de retroalimentação negativa, pelo qual o cortisol atua como inibidor da produção de CRH, diminuindo, assim, os níveis de ACTH.

Além de tudo isso, sabe-se que o ACTH age também no aumento do fluxo sanguíneo para as glândulas adrenais, intensificando o aporte de oxigênio e combustíveis metabólicos para as células, e permitindo que a secreção dos hormônios produzidos atinja a corrente mais facilmente.

Então, amigos, a atividade do córtex adrenal é bastante dependente do ACTH. De fato, há outros mecanismos de regulação para essa atividade, que terão seus detalhes explicados alguns posts adiante. Até a próxima!


Referências:

         GOODMAN, H. Maurice. Basic Medical Endocrinology. Third Edition. Editora AP.
         http://diabetes.diabetesjournals.org/content/51/6/1681.abstract
         http://corticoidestireoide93.blogspot.com.br/2011/05/acth-angiotensinas-e-outros-reguladores.html

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Passos finais da síntese de Cortisol e Aldosterona


Olá, parceiros de blog!

Hoje falaremos sobre os processos finais da síntese de corticoides, desde a pregnenolona até  se chegar no cortisol, principal glicocorticoide, e na aldosterona, principal mineralocorticoide.

Após a síntese da pregnenolona (cujo mecanismo foi elucidado dois posts atrás), esta acaba saindo da mitocôndria para o citoplasma. Então, ela é transformada em compostos intermediários, os quais retornam à mitocôndria, e, dependendo do tecido (da parte do córtex da glândula adrenal) em que se encontram, são conduzidos por um conjunto diferente de enzimas mitocondriais à produção dos distintos hormônios corticoides. Veja a figura a seguir:


Conversão de pregnenolona a aldosterona:

Processo que ocorre na Zona Glomerulosa das glândulas adrenais (ver post “Introdução sobre Corticoides”) e consiste em uma série de etapas que envolvem a inicial transformação de pregnenolona em progesterona, mediada pela enzima 3β-hidroxiesteroide-desidrogenase. A partir da progesterona, produz-se o 11-deoxicorticosterona (DOC) e a corticosterona (que é um dos representantes dos glicocorticoides). Esta, por sua vez, é convertida a aldosterona, já na mitocôndria, por ação da aldosterona sintase (na figura acima, trata-se da P450c11AS). As Zonas Fasciculada e Reticular não possuem essa enzima; portanto, não transformam a corticosterona em aldosterona e acabam secretando a primeira (que é, como dito, um glicocorticoide, com efeitos semelhantes aos do cortisol).

Conversão de pregnenolona a cortisol:

Ocorre na Zona Fasciculada e Zona Reticular do córtex das suprarrenais. Nessa rota, o “componente chave” é a 17-OH Progesterona, que pode ser obtida por dois caminhos (conforme visto na figura acima):
- A pregnenolona é transformada a 17-OH Pregnenolona, que é convertida a 17-OH Progesterona;
- A pregnenolona é transformada a Progesterona, que é convertida a 17-OH Progesterona.
Em ambos os casos, nota-se a participação da P450c17, uma enzima exclusiva das Zonas Fasciculada e Reticular. A 17-OH Progesterona obtida é convertida a 11-Deoxicortisol, o qual volta para a mitocôndria e, por meio da enzima 11β-Hidroxilase, é convertido em cortisol.
Percebe-se, também, que a enzima P450c17 também leva, nessas duas zonas, à produção de precursores de hormônios androgênicos e "sexuais", como o estradiol, mas não somente ele. Vejam a figura a seguir, que serve como um resumão, mais visual e esquemático, do que falamos nesse post!



É isso, amigos! Agora que já sabemos o mecanismo de síntese da aldosterona e do cortisol, no corpo humano, podemos abordar suas ações e seus efeitos importantíssimos no organismo. Mas isso será tema dos próximos posts! Até mais!

Referências:

http://corticoidestireoide93.blogspot.com.br/2011/05/sintese-de-hormonios-corticoides-ii.html
http://www.monografias.com/trabajos11/estrog/estrog.shtml

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Colesterol e Pregnenolona na síntese de Corticoides


Olá, amigos!

Hoje, aprenderemos um pouco sobre a síntese dos hormônios corticoides, abordando a participação inicial do colesterol até chegarmos à pregnenolona. Esta é um precursor comum direto dos corticoides, sendo de fundamental importância o entendimento de sua síntese.

O córtex das glândulas adrenais usa o colesterol (lipídeo esteroide de 27 carbonos) como precursor na síntese de mineralocorticoides e glicocorticoides. Aliás, o colesterol é precursor de todos os hormônios esteroides. Essa substância, de origem exclusivamente animal, é obtida pelo ser humano por meio da alimentação ou por síntese endógena.


Estrutura da molécula de colesterol


Na alimentação, o colesterol ingerido é absorvido no intestino delgado, seguindo, por meio de lipoproteínas conhecidas como quilomícrons, até o fígado. Lá, um de seus destinos é acabar sendo associado às lipoproteínas LDL e ir, pela corrente sanguínea, para outros tecidos (inclusive para o córtex adrenal, onde se dá a síntese de corticoides)

 O colesterol também pode ser sintetizado pelo próprio organismo, numa via que não será detalhada aqui. O importante é saber que ele pode ser sintetizado por todas as células, mas essa produção ocorre sobretudo no fígado. Outro aspecto notável é que todo o esqueleto carbônico do colesterol tem como precursores moléculas do acetato intracelular, que sofrem seguidas transformações até dar origem ao colesterol (a via completa pode ser vista nesta imagem:   https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi2Fx5VtrDlJ9fjMOLOXNjw3R4JRc_Ibp5lUX-lPfuruvo6e-qNukzqZClaKX4XprEAcNfrBvsV0mmUUJH3E_uC97i7e_FLXJGwR9msr0MyGcnvJ9VMgehA3hgfIGJeSOOEsaKUPJMMovs/s400/colestero,+sintese.gif)

Bom, tendo-se o colesterol, o início do processo de síntese dos corticoides ocorre nas mitocôndrias das células do córtex adrenal. A entrada do colesterol nessas mitocôndrias é mediada por proteínas conhecidas como StAR (Steroid Acute Regulatory). Então, enzimas mitocondriais são responsáveis pela clivagem da cadeia carbônica lateral ligada ao carbono 17 (vide a primeira figura do post) do colesterol. Esse mecanismo envolve a hidroxilação de dois carbonos adjacentes, o 20 e o 22 (gerando um composto intermediário: o 20,22-diidroxicolesterol), e a seguinte clivagem da ligação entre ambos, demandando gasto de NADPH e de O2. Tal processo é catalisado pela enzima P450scc, também conhecida como 20,22-desmolase. Com isso, retiram-se 6 carbonos do colesterol, originando uma substância de 21 carbonos: a pregnenolona.

 Rota de conversão de colesterol a pregnenolona (apenas a porção direita das moléculas está evidenciada)

A pregnenolona é de extrema importância, já que, a partir dela, podem ser gerados aldosterona e cortisol, os principais corticoides produzidos. Mas os passos finais da síntese desses hormônios, bem como os mecanismos de regulação de cada um, serão tema dos próximos posts! Por enquanto, familiarizem-se com  o processo de formação da pregnenolona (desde o colesterol), pois as próximas postagens seguirão a partir daí!

Até a próxima!



Referências:

http://docentes.esalq.usp.br/luagallo/lipideos.html
http://www.ff.up.pt/toxicologia/monografias/ano0405/estatinas/sintese_colesterol1.htm
http://painel-colesterol.blogspot.com.br/2008/11/metabolismo-do-colesterol.html
NELSON, David L.; COX, Michal M. Princípios de bioquímica de Lehninger. 5. ed. Porto Alegre : Artmed, 2011.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Biossíntese de hormônios tireoidianos



Pessoal,

Vou publicar mais 3 vídeos, todos sobre a biossíntese de hormônios tireoidianos.

Vídeo 1:


Vídeo 2:


Vídeo 3:


Abraços,

Pedro.




segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Introdução sobre Corticoides



            Camaradas, hoje temos um post introdutório sobre os corticoides, com  algumas breves, mas necessárias, noções gerais sobre esses hormônios tão importantes para a saúde do ser humano.

            Para falarmos sobre corticoides, precisamos saber alguma coisa sobre seus produtores: as glândulas suprarrenais (ou adrenais). Elas se situam acima dos rins, uma de cada lado, e exercem papéis fundamentais nos processos vitais do ser humano. Possuem duas regiões básicas: a medula (mais internamente) e o córtex (mais superficialmente).

A medula é responsável pela produção de catecolaminas (no caso, adrenalina, noradrenalina e dopamina), que são importantes interferentes metabólicos.

Mas é sobre o córtex das suprarrenais que falaremos mais detalhadamente no decorrer deste blog. Afinal, é ele que produz os tão falados corticoides, além de hormônios androgênicos (que não levarão muita ênfase). O córtex das glândulas adrenais é dividido em 3 partes: a Zona Glomerulosa, a Zona Fasciculada e a Zona Reticular.






Os corticoides, por sua vez, também são divididos em grupos. A saber:

- Mineralocorticoides: são produzidos pela Zona Glomerulosa das glândulas adrenais, e, basicamente, são responsáveis pela regulação eletrolítica do organismo, sobretudo as taxas de sódio e potássio. A principal representante desse grupo é a aldosterona.



- Glicocorticoides: são feitos pela Zona Fasciculada e pela Zona Reticular (que também produzem os hormônios androgênicos). Basicamente, são responsáveis por regulação do metabolismo de compostos energéticos (lipídios, carboidratos) e efeitos no metabolismo geral (como, por exemplo, respostas ao stress). Seu principal representante é o cortisol.


   


                Dessa forma, apenas por essas funções citadas acima, já dá para perceber o quão importante é a classe dos corticoides para a manutenção da homeostase do corpo humano, tanto é que distúrbios relacionados a elas podem levar a problemas metabólicos e a complicações mais sérias, como a Doença de Addison e a Síndrome de Cushing, que serão abordadas mais tarde nesse blog.

                E agora que já sabemos o que são os corticoides, quem os produz e suas funções básicas, podemos focar nossa atenção mais profunda e detalhadamente aos mecanismos de síntese desses hormônios e aos modos pelos quais eles agem no organismo. Mas isso é assunto para os próximos posts! Até mais, caríssimos leitores!


Referências:

GOODMAN, H. Maurice. Basic Medical Endocrinology. Third Edition. Editora AP.
http://embrioglandulasendocrinas.blogspot.com.br/2010/10/glandula-supra-ranal.html
http://users.rcn.com/jkimball.ma.ultranet/BiologyPages/A/Aldosterone.gif
http://www.chronicfatiguesolution.com/image/Fig3.jpg

domingo, 6 de janeiro de 2013

Introdução sobre os hormônios da glândula tireóidea

Pessoal,

Este é um vídeo introdutório sobre hormônios da glândula tireoide:



Na próxima postagem, vou falar sobre a biossíntese desses hormônios.

Seria muito interessante se vocês fizessem comentários com críticas e sugestões, para que eu possa aprimorar o formato e melhorar a qualidade dos próximos vídeos. Obrigado!

Abraços,

Pedro.